23 de julho de 2012

Resenha: Horus, Prince of the Sun

   
Ano: 1968
Diretor: Isao Takahata

Horus: Prince of the Sun teve a grande honra de ser o primeiro filme dirigido por Isao Takahata. Como se não bastasse tamanha glória, ainda contou com um jovem e próspero elenco, incluindo nomes como Hayao Miyazaki, Yasuo Õtsuka, Yoichi Kotabe e Yasuji Mori. Horus também foi pioneiro em outro quesito: foi o primeiro filme da Toei Animation a sair dos moldes dos longas da Disney, que eram tidos como padrão na época para qualquer tipo de animação. Todas essas peculiaridades elevaram o status de Horus, colocando-o como um marco para a história dos animes, pois ele é considerado por muitos como o primeiro filme de anime no estilo contemporâneo, ou seja, tudo o que você conhece sobre animes hoje em dia surgiu de Horus!

Bom, você deve estar pensando: "Com um elenco grandioso como esse, o que poderia dar errado?" Muita coisa! Para começar o filme perdeu praticamente 30 minutos do planejado inicialmente, pois além do tempo estourado, o orçamento de ¥100,000,000 chegou ao fim antes de ser produzida a meia hora final do anime. O resultado disso foi meio desanimador para a equipe, principalmente pelo fato de duas importantes seqüências terem ficado inacabadas, o que resultou em pequenas cenas com limitações na animação, feitas apenas para tapar os buracos do enredo.

A trama se passa em território escandinavo, mais precisamente na época do extração de ferro daquelas terras. Horus é um jovem valente, vive com seu pai doente, isolado do restante do mundo. Certo dia, momentos antes de morrer, seu velho pai lhe revela um segredo antigo: ele conta ao menino que fugiu do massacre que acontecera há muito tempo no vilarejo onde viviam, e antes de dar o seu suspiro final, pede a Horus para retornar à sua terra natal e honrar o nome da família derrotando Grunwald, o demônio que habita aquele local.

Antes de partir, Horus conheceu o gigante de pedra chamado Mogue. Mogue possui uma espada rústica fincada em seu ombro direito. Essa espada é conhecida como "Sword of the Sun“, A Espada do Sol. Horus consegue retirar a ”Sword of the Sun“ do ombro de Mogue e pode se tornar o Príncipe do Sol mas, para isso, ele precisa aprender como usar a espada.

O tema central de Horus retrata assuntos sérios e possui várias referencias a fatos que aconteciam no mundo, como a guerra do Vietnã, protestos estudantis e o Socialismo, o que faz com que pensamentos complexos e políticos se mesclem com aventura e fantasia. Os personagens são bem trabalhados e possuem um forte apelo psicológico, principalmente Hilda, a trágica heroína que sofre com seu dilema perturbador.

Horus: Prince of the Sun foi totalmente inovador, uma animação à frente de seu tempo no quesito originalidade. As personalidades dos personagens foram até então as mais realistas já vistas no mundo da animação, pois possuem uma evidente característica típica de Takahata, que seria conhecida pelo mundo nas próximas décadas e até hoje permanece em suas obras. Não é por menos que Horus merece ser conhecido como o propulsor dos animes modernos, uma vez que, em comparação com as animações da época, Horus tem todo um contexto diferenciado, que se apresenta de uma forma inovadora até mesmo se visto hoje em dia.

Para tristeza de Takahata e sua equipe, o filme saiu de cartaz 10 dias após sua estréia, porém algo inédito aconteceu: o filme ficou famoso entre os estudantes japoneses, que faziam de tudo para assisti-lo. Se formos comparar essa inovação da animação mundial a um estilo musical, poderíamos tranqüilamente intitular esse movimento de punk. Sim, isso mesmo: Isao Takahata e seus companheiros eram os punks do mundo da animação.

Infelizmente o orçamento não permitiu a essa obra terminar da maneira idealizada por seus criadores. E perceptível a incrível queda de qualidade a partir da metade do longa, tanto a parte técnica quanto o enredo ficam extremamente prejudicados pelo sofrível andamento em cenas cruciais. No entanto, verdade seja dita, o inicio do anime é lindo, algo grandioso para seu tempo, percebe-se facilmente o talento daqueles jovens, que mais tarde seriam conhecidos como os mestres da animação japonesa.

Os cenários foram feitos por Hayao Miyazaki, o que torna dispensável dizer que são de alta qualidade e bom gosto. O trabalho de arte e as músicas possuem muitas influências do movimento Socialista, pois os jovens estudantes do elenco eram simpatizantes do Socialismo, chegando até a idealizarem o Japão como um pais Socialista, mas a censura entrou em ação e alterou a geografia do anime para as terras do norte, mais precisamente na região da Escandinávia, graças a esse fato o anime ficou conhecido em alguns paises como Little Norse Prince.

A qualidade técnica é excelente, possui inovadores e dinâmicos ângulos de câmera, que mais tarde seriam produzidos apenas com computação gráfica. O traço característico dos criadores do Studio Ghibli já se mostrava presente. As canções com temas audaciosos também ajudam a construir a identidade da obra. A dublagem feita por Hisako Okata (Horus), Etsuko Ichihara (Hilda) e Mikijiro Hira (Grunwald) ficou ótima, todas as vozes ficaram muito competentes, coisa rara para a época no Japão, já que outros trabalhos da mesma data não possuem qualidade significativa de dublagem.

Se existe algum anime cult, Horus é esse anime. Extremamente político e inovador, pioneiro técnica e emocionalmente, Horus mostrou ao mundo uma nova visão das animações, derrubando o tabu de que desenho animado é coisa para criança. De quebra, ainda revelou dois incríveis talentos não só da animação, como também de entendedores do comportamento da humanidade, fato que é comprovado por várias obras de sucesso da dupla Isao Takahata e Hayao Miyazaki, que mais tarde fundariam o lendário Studio Ghibli.

Horus merece o titulo de marco da história da animação mundial, pois sem ele a forma como assistimos anime hoje em dia não seria a mesma. Altamente recomendado a qualquer um que goste de ousadia e aventura. Muitos fãs de anime pelo mundo dizem que Horus é o ”Cidadão Kane“ da animação, eu prefiro chamá-lo de Sex Pistols da animação! ^_^.

Nota: Horus foi lançado em DVD em vários paises, inclusive em Portugal.  


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21 de julho de 2012

AnimecoteCast #11: Os dez melhores animes da sua vida (Parte 2)


Tenho o prazer de trazer para os caros ouvintes mais uma edição do AnimecoteCast. Dessa vez iremos falar sobre os 10 melhores animes de nossa vida, ou seja, cada um dos quatro participantes do podcast elaboraram uma lista com os seus 10 melhores animes. Aqui o que vale não é qualidade e sim o gosto pessoal de cada um, pois sempre tem um anime de que gostamos que não é tão bem visto pela crítica, mas o que interessa é que gostamos e ponto final.

Essa é a segunda parte do tema que abrange do 5° ao 1° colocado de cada um. Dessa vez o cast tem mais de 3 horas de duração e está mais para um bate papo, pois a edição ficou bem crua para poupar tempo.Espero que se divirtam ouvindo o cast e podem comentar suas lista com os 10 melhores animes de sua.


Participantes: Bebop, Evilásio, Saito e Kage do Subete Fórum
Faça o download do Cast Aqui!
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13 de julho de 2012

Fim de Temporada: Melhores animes Primavera 2012


Chegamos ao fim de mais uma temporada das animações da terra do sol nascente; e que temporada! 
A qualidade das séries lançadas na primavera japonesa foi de nível altíssimo, principalmente em relação à arte. Tivemos o prazer de acompanhar diferentes estilos e variações tanto de enredos, quanto de animação. Algumas boas séries que tiveram início em abril ainda continuam temporada(s) a fora, porém pouco mais de duas dúzias chegaram ao fim e serão elas as citadas nesse texto.

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12 de julho de 2012

O Japão no Anima Mundi

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Nessa sexta-feira começa no Rio de Janeiro a 20ª edição do Anima Mundi, o maior festival de animação da América Latina. Com 82 produções inscritas, o Brasil é o mais presente no festival, ficando a frente de países como França (79), Reino Unido (27), Estados Unidos (25), Alemanha (23) e Itália (23).

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8 de julho de 2012

AnimecoteCast #10: Os dez melhores animes da sua vida (Parte 1)


Tenho o prazer de trazer para os caros ouvintes mais uma edição do AnimecoteCast. Dessa vez iremos falar sobre os 10 melhores animes de nossa vida, ou seja, cada um dos quatro participantes do podcast elaboraram uma lista com os seus 10 melhores animes. Aqui o que vale não é qualidade e sim o gosto pessoal de cada um, pois sempre tem um anime de que gostamos que não é tão bem visto pela crítica, mas o que interessa é que gostamos e ponto final.

Essa é a primeira parte do tema que abrange do 10° ao 6° colocado de cada um.Em breve estará disponível a segunda parte com os animes restantes das listas. Espero que se divirtam ouvindo o cast e podem comentar suas lista com os 10 melhores animes de sua.


Participantes: Bebop, Evilásio, Saito e Kage do Subete Fórum

 
Tempo do cast: 1:32:00

Clique AQUI para baixar o cast

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5 de julho de 2012

Notas no MyAnimeList dos animes da temporada de Primavera 2012

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Se há aqueles que acompanham os lançamentos em tempo real, outros - eu incluso - preferem esperar a temporada acabar para só então começarem a ver os animes finalizados - ou seja, jamais verei “One Piece”...

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2 de julho de 2012

X-10: Dez animes no mundo da música

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Cantar para superar o ex, encontrar o amado ou simplesmente descobrir a si mesmo; tornar-se uma ídolo de sucesso, uma banda renomada ou, apenas, fazer aquilo que gosta sem almejar grandes feitos. Não importa o motivo ou o objetivo dos garotos, garotas, mulheres e homens protagonistas desses animes: no final, todos tem em comum a paixão pela música, seja ela criada por um tristonho Chopin ou um agitado Red Hot Chilli Peppers.


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Especial: Sakamichi no Apollon OST

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Geralmente a trilha sonora é usada como pano de fundo em várias obras, porém de vez em quando surgem obras que se focam na música, ou pelo menos destacam mais o lado musical. Em Sakamichi no Apollon, em inglês Kids on the Slope, podemos ouvir belas passagens musicais durante praticamente toda a série. Desde as músicas de background até as mais destacadas onde os personagens as executam.  Tomei a liberdade de comentar sobre cada faixa da ost de Apollon que tem como resnsável a mestra Yoko Kanno.

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