Olá, caros leitores! Desculpem o atraso! Hoje mesmo eu não pretendia escrever nenhuma postagem, mas já que sobrou um tempo no fim da noite (saudades da época em que podia escrever de madrugada), porque não? A postagem de hoje será mais curta que o de costume (eu acho) e inicialmente esse texto tinha o objetivo de comentar sobre animes ruins que gostamos, mas ao pensar bem, não faz sentido isso, afinal se eu gosto é bom! Sem mais delongas vamos a mais um texto “questionável” da coluna A resposta é 42!
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27 de setembro de 2017
2 de setembro de 2017
A resposta é 42: Referenciar é preciso
Olá, caros leitores! Estou de volta para apresentar-lhes mais um texto cheio de questionamentos e referências a vários animes, aliás, referência é o que não faltará hoje, pois este é o tema da coluna. Como é de costume, alguns eventos recentes na minha vida me inspiraram a falar deste tema e dessa vez devo dizer que o principal deles foi assistir o filme "Os Mercenários 2", que é cheio de referências a filmes de brucutus dos anos 80 e 90. De qualquer modo, tal como a resposta absoluta é 42, reviver, homenagear e referenciar é preciso.
23 de novembro de 2016
A resposta é 42: Obras para mulheres adultas ou para pessoas de bom gosto?
Olá! Essa é mais uma edição da coluna mais curiosa do Animecote. O texto de hoje é mais uma republicação revisada e atualizada de um texto feito para o blog Anime Portfolio e dessa vez o tema é Mangás e Animes Josei.
Ainda tenho muito a aprender sobre estas obras e conheço um número diminuto de animes e mangás que se enquadram neste perfil, mas posso afirmar que alguns dos meus animes e mangás favoritos são Josei e hoje tentarei expor o porquê dessas obras, que são destinadas a um público alvo ao qual não pertenço, encantarem tanto a mim. Enfim, é hora de falar de Josei!
Josei é um termo que ao pé da letra pode ser traduzido como mulher(es) madura(s) ou senhora(s). No sentido aqui tratado, o termo é usado para ilustrar o público alvo ao qual certas obras em mangá e, por consequência, em anime são destinadas (Demografia). Segundo o texto "The World of Japanese Ladies' Comics: from Romantic Fantasy to Lustful Perversion" de Ito Kinko, obras Josei são direcionadas a mulheres que possuem entre 15 e 44 anos de idade.
As primeiras revistas Josei surgiram em meados dos anos 80 a partir dos Shoujos como um amadurecimento dessas obras destinadas a jovens garotas, pois muitas destas leitoras de Shoujo ao crescerem perdiam interesse pelos romances um tanto infantis e muitas vezes fantasiosos que eram apresentados nessas obras, além de outros aspectos imaturos que os personagens destes mangás possuem.
Com o amadurecimento das jovens, agora jovens adultas, outros assuntos passavam a ter tanta importância quanto o romance, além de que, as próprias relações amorosas são vistas por elas de forma mais madura. Para que esse público feminino mais maduro não deixasse de ler mangás, as editoras passaram a investir em artistas que possuíam um estilo mais realista e escreviam roteiros menos ingênuos. Essas novas obras se tornaram mais próximas ao Seinen (mangás destinados a adultos), porém diretamente destinadas ao público feminino, e principalmente por isto a maioria dos atuais criadores de Josei são mulheres que produziam Shoujo ou Seinen.
Tais mangás começaram a se tornar mais famosos no século 21, em parte pelo interesse das editoras que mulheres adultas lessem mais mangás, já que o público de leitoras diminuíra bastante no fim do século 20. Uma boa parte do sucesso recente dessas obras está ligado também ao crescimento de adaptações para Doramas (séries similares a novelas, porém mais curtas) Japoneses e Coreanos, pois como os mangás Josei são quadrinhos mais realistas e ao mesmo tempo apresentam romances elaborados que prendem facilmente a atenção das mulheres (público alvo principal destas séries) é mais fácil de adaptá-las que livros e menos trabalhoso que criar roteiros originais. Além disso, como acontece com frequência com séries Seinen, mais e mais mangás Josei passaram a ser adaptados para o cinema.
Com o sucesso que os mangás Josei começaram a alcançar unido ao aumento de blocos televisivos destinados a animes mais maduros, como é o caso do bloco noitaminA da Fuji TV, estas obras passaram a ter mais adaptações para anime (quase não há animes jousei antes do século 21). E então começou minha história com séries Josei...
No fim de 2005 conheci uma série chamada Honey & Clover, exibida no noitaminA, que falava sobre um grupo de amigos universitários vivendo os dilemas da vida. A história apresentava romances mais maduros, o problema de conseguir emprego, dilemas familiares, triângulos e até quadrados amorosos. Tudo de forma divertida, emocionante e com personagens interessantes e críveis.
Após conhecer essa série eu passei a ver animes e mangás destinados ao público feminino de outra maneira. Até hoje Honey & Clover é meu anime e meu mangá Josei favorito. Se por um lado eu considero Genshiken a obra animada que mais marcou minha vida, por outro Honey & Clover me fez perceber de vez que existiam obras boas em anime e mangá que independente do público alvo, devem ser conhecidas. Não só passei a conhecer aquele novo grupo de histórias que eram os Josei, mas passei a ver todas as demais obras japonesas que conheci posteriormente com outros olhos, independente de serem Shoujo, Shounen, Kodomo, Seinen, Josei ou Gekigá. Hoje faço o possível para não formular pré-conceitos sobre qualquer animação ou quadrinho.
Tal como o Seinen, são poucas as obras Josei que foram licenciadas e lançadas no ocidente, sendo essas ainda pouco conhecidas pelo grande público de anime e mangá "por essas bandas". Além disso, mesmo que a quantidade de obras Josei tenha aumentado consideravelmente desde o início deste século, ainda existem muito menos Josei do que Shounen, Shoujo e até mesmo Seinen. Somado a isso, o próprio Josei ainda não conseguiu ganhar a visibilidade necessária para se dissociar do Shoujo, por este motivo, ainda é comum que estas obras concorram junto a Shoujos nos principais concursos de anime e mangá.
Mas afinal, qual o interesse disto para nós? Bem, tal como os concursos japoneses, muitos, principalmente homens, ainda pensam que Josei são destinados a garotas adolescentes e por este motivo nem se quer se dão ao trabalho de conhecê-los, o que particularmente acho lamentável porque tanto os homens quanto as mulheres que assim pensam estão perdendo a oportunidade de conhecer obras de arte magníficas.
Nesse ponto do texto vale a pena citar mais alguns animes/mangás Josei que adoro para tentar exemplificam as muitas possibilidades que as obras dessa demografia trazem.
Primeiramente eu decidi falar de Nodame Cantabile (outro anime exibido no noitaminA), uma série de romance e música clássica regada a muita comédia e algumas reviravoltas. Curiosamente fiz alguns amigos gostarem de anime por causa desta série e acredito que vale a pena conferir não só o anime, ou mangá, ou o dorama, mas sim todos os três, pois cada um tem seu charme particular. Outras curiosidades (inúteis) são que hoje eu sei o que é um mangusto, o que significa Forte Piano e que "Brilha brilha estrelinha" (Kira kira Boshi) é uma música de Mozart devido a Nodame Cantabile.
Outra série que escolhi para exemplificar um pouco do que pode ser conhecido em obras Josei é Kuragehime. As protagonistas de Kuragehime são otakus que tentam viver em sociedade e a história tenta abordar o cotidiano e a forma como cada personagem se adapta a sociedade japonesa, com um destaque maior para a protagonista que é viciada em águas vivas e para o único protagonista masculino que é um garoto (um jovem adulto para ser mais preciso) que pratica o cross-dressing. A história pode parecer absurda, mas tenta, e com êxito, se manter com o pé no chão o tempo todo. Além disso, um adendo interessante que o anime introduz é a abertura que faz referência a diversos filmes famosos. Kuragehime é uma série que junta fantasia e realidade, drama e comédia, romance e cultura pop, além de não ser nada previsível.
Embora pareça (um pouco), a intenção deste texto não é indicar quais obras Josei que você tem de ver, mas ilustrar como animes e mangás Josei podem ser interessantes, independente de você ser uma mulher ou um homem, aliás muitas vezes, independente também de qual sua idade. Aqui cabe meus parabéns as autoras de obras Josei, que não só me fizeram rever meu jeito de pensar sobre anime ou mangá, mas principalmente por criaram essas obras incríveis que vem quebrando paradigmas.
Uma coisa muito interessante que percebo nos mangás Josei e Seinen é que diferente das obras Kodomo, Shoujo e Shounen, elas não tem um mangá base que define o que deve ser apresentado em cada estilo, não existe um Dragon Ball, que é a base para a maioria dos Shounen de batalha do fim do século 20 e começo do século 21 para os Seinen de ação, nem uma série de Sakuras Card Captor, Peach Girls e Kimi ni Todoke's para os Josei. Cada obra parece única e diferente de praticamente todas as outras e isso meus amigos é a prova mais visível da diversidade que se pode conseguir em animes e mangás. Não me endentam mal, não acho que todo Shounen, Shoujo e Kodomo sejam iguais (muito longe disso), mas ainda é muito mais fácil ver uma variedade de conceitos em obras Seinen e Josei.
Por fim cabe a mim então apenas formular as perguntas devidas, ou melhor, a pergunta, que é:
Tal como Honey & Clover e Genshiken me fizeram perceber a imensidão de obras interessantes e diferentes que encontro e que encontrarei em animes e mangás, existe alguma obra em especial que lhe fez perceber como a animação e os quadrinhos japoneses sempre poderão lhe surpreender, independente de quantos anos passe?
Fico por aqui, ainda na busca da pergunta fundamental, e aguardo vocês no próximo post!
19 de novembro de 2016
A resposta é 42: Ele morre no final!
Olá! Um pouco
Segundo o significados.com.br:
O termo “Spoiler tem origem no verbo spoil, que significa estragar, é um termo de origem inglesa. Spoiler é quando alguma fonte de informação, como um site, ou um amigo, revela informações sobre o conteúdo de algum livro, ou filme sem que a pessoa tenha visto.
O spoiler é uma espécie de estraga-prazeres, pois ele é aquele indivíduo que conta os finais, ou o que vai ocorrer com determinado personagem em filmes, séries, livros, sem saber se a outra pessoa realmente quer saber. O spoiler não necessariamente precisa contar o fato todo, pode ser qualquer parte de uma fala, texto, imagem ou vídeo que faça revelações importantes sobre determinados assuntos...”
Já segundo o tecmundo.com.br:
“Spoiler é quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo. O termo vem do inglês, mais precisamente está relacionado ao verbo “To Spoil”, que significa estragar. Numa tradução livre, spoiler faz referência ao famoso termo “estraga-prazeres”.”
Poderia adicionar significados oriundos de outras fontes, mas acredito que já esteja suficientemente claro que o spoiler está diretamente ligado ao ato de estragar de alguma maneira a sensação que aquele que “recebe” o Spoiler (“a vítima”) teria, sendo essa sensação relacionada ao fato revelado. É claro que, embora os significados acima não especifiquem, o termo pode ser utilizado para outros produtos de mídia audiovisual além dos supracitados, inclusive animes e mangás.
Finalmente, as perguntas derradeiras que deixo neste post são: Porque dar tanta importância assim a Spoilers? E é verdade que um rato roeu a roupa do rei? Entendedores entenderão qual o sentido da última pergunta, odiadores odiarão esse spoiler e a maioria só vai pensar que foi uma piada ruim.
Já segundo o tecmundo.com.br:
“Spoiler é quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo. O termo vem do inglês, mais precisamente está relacionado ao verbo “To Spoil”, que significa estragar. Numa tradução livre, spoiler faz referência ao famoso termo “estraga-prazeres”.”
Poderia adicionar significados oriundos de outras fontes, mas acredito que já esteja suficientemente claro que o spoiler está diretamente ligado ao ato de estragar de alguma maneira a sensação que aquele que “recebe” o Spoiler (“a vítima”) teria, sendo essa sensação relacionada ao fato revelado. É claro que, embora os significados acima não especifiquem, o termo pode ser utilizado para outros produtos de mídia audiovisual além dos supracitados, inclusive animes e mangás.
E porque será que eu me dei o trabalho de começar esse texto apresentando o significado do termo? Afinal todo mundo sabe o que é Spoiler, não é verdade?
Será que todo mundo sabe mesmo? Será que não tem gente que acha que qualquer coisa é Spoiler, mesmo quando não “estraga o prazer” de acompanhar parte ou toda uma obra? Para ser sincero não é bem sobre isso que se trata esse texto, mas é importante que fique claro o que “na teoria” é realmente um Spoiler para que o texto a seguir faça realmente sentido (ou não?).
Enfim, decidi falar de certas ocasiões relacionadas à Spoiler e porque talvez ele, o Spoiler, seja ou não danoso, pois, embora pelo significado um Spoiler seja sempre danoso, o que alguns consideram ruim, pode ser até útil para outros.
Começarei pelo caso mais típico e danoso do spoiler, quando alguém conta o final de uma obra. Nesse caso é costume ocorrer duas coisas: apenas o final da obra é estragado, embora o resto da obra continue boa; ou a obra como um todo perca certo sentido, ou pelo menos a experiência de ver a obra seja como um todo muito menos interessante.
Certamente muitos irão dizer que uma boa obra não pode ser estragada por apenas um spoiler de final, pois a experiência de acompanhar o anime ou mangá conta mais. Porém, existe animes e mangás (e outras obras) que são todas construídas para chegar a um final ou que o final liga tudo, de modo que conhecê-lo a princípio pode estragar ao menos a primeira experiência da pessoa com essa obra.
Animes como Paranoia Agent e Shigatsu Wa Kimi no Uso são séries que ligam os pontos de modo às repostas mais importantes serem as últimas. Por isso, a primeira experiência com esses animes sempre será diferente de quando reassisti-los. Claro que reassistir um anime bom com essa característica, ainda possivelmente gere uma boa experiência, mas não é a mesma coisa. Outro anime que considero que você vai aproveitar muito se souber o final, porém ainda mais se não souber é o filme Hotaru no Haka do estúdio Ghibli.
Há também aqueles casos em que saber o spoiler do final, provavelmente só afeta o final, acredito que animes como Evangelion (surpresos?), Omoide no Marnie e Boku dake ga inai machi (esse último também porque o culpado está bem na cara desde o começo, né?) são exemplos desse tipo de obra. Animes assim costumam ter partes bem definidas e que funcionam, dentro de suas propostas, quase que separadamente e por isso saber o final não afeta tanto assim o resto da obra.
Para muitos o Spoiler do final é o pior tipo de Spoiler, mas existem algumas obras em que até eu, que se considera um cara que não se importa muito com Spoilers, acredita que o Spoiler em qualquer momento, não apenas no final, às vezes até menos no final, é prejudicial ao prazer que se consegue ao ver a série. Animes como Bokurano, Higurashi no Naku Koro Ni, Kino no Tabi, One Outs, Shiki e Shin Sekai Yori são construídos de maneira que a história que quer se contar é dividida em todos os seus episódios, ou arcos. Deste modo, até os episódios “ruins” acabam tento importância e mesmo a sensação de desgosto que pode se ter com estes episódios não justifica Spoilers.
Geralmente essas obras possuem reviravoltas ou apresentam subtramas, ou ainda tentam ensinar uma lição em cada um de seus episódios. No caso de filmes isso é mais difícil, porém eu acredito que alguns poucos casos como, por exemplo, Millennium Actress, devem ser conferidos sem "Spoiler" nenhum, no entanto é até difícil falar Spoilers desse tipo de filme.
Há também aquelas obras em que o Spoiler de alguns momentos específicos pode realmente estragar a experiência de acompanhar por si mesmo aquele momento. Sem citar o spoiler, aqueles que viram Full Metal Alchemist, Hajime no Ippo, Major e Tengen Toppa Gurren Lagann, sabem que tem certas cenas não se conta, a não ser que você seja um tremendo de um spoiler.
Apesar de alguns questionarem isso, eu acredito que nem sempre o dito Spoiler é danoso. Provavelmente não seria nem correto chamar essas informações "não danosas" de Spoiler, mas como nem todo mundo concorda com isso fazer o quê? Pois bem, estou querendo falar daquelas obras que não dar pra compreender nada da forma correta apenas pela informação de um terceiro. É preciso de fato presenciá-la para entender e sentir o que aquele momento daquela obra, ou o que todos os momentos daquela obra, transmitem.
Não dar para entender o que Cowboy Bebop mostra sem você ver Cowboy Bebop, seja no momento que “See you space cowboy” é apresentado ou quando na verdade surge um “See you space samurai”. Não dar pra entender porque tanta gente acha algo que, se contado não parece tão absurdo, mas que se visto em Suzumiya Haruhi no Yuutsu foi para muitos que assistiram esse anime. E nem preciso exemplificar muito como (quase) nenhum Spoiler faz sentido quando está se referindo a Serial Experiment Lain, a FLCL ou a Golden Boy.
Por último, há casos em que saber pouco sobre a obra é bom, mas que saber um pouco sobre ela antes de conferi-la pode ser bem útil, não apenas para minimizar negativamente alguma surpresa, mas porque pode ajudar você a se interessar pela série e ainda o fazer entrar no clima ideal quando for começa a consumir essa obra. Sei que isso é questionável, uma vez que realmente há pessoas que odeiam saber qualquer coisa sobre uma série, filme, livro, quadrinho, animação, ou que seja, de terceiros e que, muitas vezes por esse motivo ao ser exposto a um Spoiler têm sua experiência estragada por antecipação, mas cá entre nós, você que viu animes como Dragon Ball, One Punch-Man, Sakamichi no Appolon, Nodame Cantabile e Beck realmente acham que seria (ou foi) tão ruim assim saber uma pequena informação sobre eles antes de conferi-lo.
E quem viu Azumanga Daioh, School Rumble, Detroit Metal City, Full Metal Panic? Fumoffu e Hetalia, ou que só ouviu alguém contar alguma piada deles, não se sentiu um pouco mais interessado em ver ou rever esses animes?
Obras de comédia baseadas em gags visuais, obras de ação que misturam momentos engraçados com momentos de batalha, obras de música com sequencias musicais empolgantes, obras de esporte que tem disputas simples, mas que te fazem torcer de fato, geralmente tem certos momentos que quando contados, mais ajudam uma pessoa a se interessar por aquela série do que a desgostar daquela cena de que já havia ouvido falar.
É claro que a linha entre um Spoiler que pode empolgar alguém e outro que pode, de fato, ser considerado um Spoiler, por estragar ou minimizar uma experiência, é tênue. Por isso é importante saber respeitar as pessoas que realmente não estão interessadas em saber do Spoiler. Por outro lado, é importante que uma pessoa saiba que não há garantias reais de que algo seja um Spoiler, ou só uma informação pouco significante. Mesmo ao se ler sinopses, ou ver trailers, você pode está sendo exposto a algo que possivelmente você queria consumir apenas ao ler o livro, ver o filme, assistir o anime e etc.
Não há uma resposta realmente certa sobre o que pode ou não ser dito, nem sobre o que deve ou não ser lido ou visto. Assim sendo, o máximo que posso tentar fazer e que sugiro (aos não haters) é tentar ter sempre bom senso. Na dúvida, pergunte se a pessoa quer saber mesmo. Pense bem se você quer ler a resenha antes de acompanhar a obra. Tenha em mente que a sinopse (quase sempre) tenta lhe trazer apenas as informações relevantes e que ela não quer ser danosa. E também por fim, tente aproveitar ao máximo cada momento da obra da melhor maneira que puder, pois muitas vezes isso já fez Spoilers até grandes se tornarem irrelevantes para mim e pode acontecer o mesmo com vocês.
Finalmente, as perguntas derradeiras que deixo neste post são: Porque dar tanta importância assim a Spoilers? E é verdade que um rato roeu a roupa do rei? Entendedores entenderão qual o sentido da última pergunta, odiadores odiarão esse spoiler e a maioria só vai pensar que foi uma piada ruim.
Ficamos então por aqui! Continuarei em busca da resposta da pergunta fundamental, já que “Quanto é 6 x 9?” não parece funcionar tão bem assim. Em breve trarei novos textos, com novas reflexões e novos questionamentos é claro. Até mais!
27 de agosto de 2016
A resposta é 42: Qual é o público alvo?
![]() |
| Para todos, uma piscadinha da Ram! |
Yo! Faz tempo que não posto nada dessa coluna, mas cá estou novamente. O texto de hoje ainda é uma republicação atualizada e revisada de uma edição da coluna que publiquei no “falecido” Anime Portfolio. Porém, tentarei manter a meta de publicar um texto por mês (sei que originalmente a coluna era semanal, mas não há como... Torçam por mim!) dessa coluna alternando republicações com textos novos.
Enfim, ao som de uma mixagem da abertura de Working com uma música dos Beastie Boys (clique aqui e confira) estou aqui escrevendo mais uma edição da coluna “A resposta é 42”. Essa coluna sem sombra de dúvida é uma das mais difíceis de escrever, mas difícil mesmo é pensar em temas interessantes para escrever, porque o tema tem que me agradar e porque gostaria de escrever sobre assuntos que sejam interessantes para meus leitores, ou seja, para meu público alvo. E ao pensar neste assunto que veio a ideia de falar um pouco sobre o público alvo e sobre alguns elementos bastante usados hoje em dia para atrair diversos públicos fãs de anime e mangá.

Apesar de ainda haver muita gente que pensa que o público alvo das animações e dos quadrinhos é primordialmente infantil, quem conhece bem estas mídias sabe que estão muito enganados e que o público é bem mais abrangente, interessando desde crianças com menos de 5 anos até adultos com mais de 60 - mas o que crianças de 5 anos assistem não interessa à maioria dos adultos com mais de 60 e vice versa! Para cada público, existem elementos e estilos de narrativas que são necessárias. Exemplificando isto podemos simplesmente observar a existência ou não de kanjis e furiganas em mangás.
Para quem não conhece nada da língua japonesa eu explico, Kanji é um alfabeto baseado em símbolos nascido na China que foi exportado para o Japão, em geral ele é de difícil compreensão e é utilizado apenas para expressar algumas ideias. Por ser de difícil compreensão, em textos destinados a crianças e jovens, ou seja, para pessoas que ainda estão em meio ao aprendizado destes Kanjis, é usado o furigana, que seria como o Kanji é escrito no alfabeto hiragana, o alfabeto mais simples usado no Japão. Embora maior e silábico o Hiragana se assemelha mais ao nosso alfabeto ocidental em termo estrutural. O furigana é disposto em um tamanho pequeno acima dos Kanjis aos quais eles são associados - em resumo, quadrinhos destinados a pessoas adultas não possuem furiganas, os destinados a adolescentes possuem furiganas e nos infantis não existem Kanjis.
Apesar de ainda haver muita gente que pensa que o público alvo das animações e dos quadrinhos é primordialmente infantil, quem conhece bem estas mídias sabe que estão muito enganados e que o público é bem mais abrangente, interessando desde crianças com menos de 5 anos até adultos com mais de 60 - mas o que crianças de 5 anos assistem não interessa à maioria dos adultos com mais de 60 e vice versa! Para cada público, existem elementos e estilos de narrativas que são necessárias. Exemplificando isto podemos simplesmente observar a existência ou não de kanjis e furiganas em mangás.
Para quem não conhece nada da língua japonesa eu explico, Kanji é um alfabeto baseado em símbolos nascido na China que foi exportado para o Japão, em geral ele é de difícil compreensão e é utilizado apenas para expressar algumas ideias. Por ser de difícil compreensão, em textos destinados a crianças e jovens, ou seja, para pessoas que ainda estão em meio ao aprendizado destes Kanjis, é usado o furigana, que seria como o Kanji é escrito no alfabeto hiragana, o alfabeto mais simples usado no Japão. Embora maior e silábico o Hiragana se assemelha mais ao nosso alfabeto ocidental em termo estrutural. O furigana é disposto em um tamanho pequeno acima dos Kanjis aos quais eles são associados - em resumo, quadrinhos destinados a pessoas adultas não possuem furiganas, os destinados a adolescentes possuem furiganas e nos infantis não existem Kanjis.
Hoje em dia podemos dizer que público alvo é tudo quando pensamos em marketing e em como uma história é direcionada, porque agradar diversos públicos pode causar o processo inverso, ou seja, desagradar à maioria dos leitores ou espectadores. Por isso que é preciso se utilizar de estratégias para alcançar públicos específicos e nunca exagerar para tentar chamar atenção de todos.
Primeiramente, o que mais agrada cada público pode ser descoberto por amostragem. Podemos começar partindo do princípio básico de que lutas agradam garotos e romance agradam garotas, ou pelo menos esta é uma percepção obtida após muito tempo. Além disso, jovens gostam de histórias mais simples e exageradas, enquanto adultos preferem histórias mais complexas e realistas. Tendo isso como base já fica fácil identificarmos a que público muitas obras são direcionadas.
Olhando-se um pouco para a história dos mangás e animes, perceberemos que muita coisa mudou e observando com mais clareza podemos perceber que isto ocorreu devido ao que podemos chamar de evolução ou direcionamento mais elaborado para o público, por isso que muitos criticam o porquê de hoje em dia obras como Hokuto no Ken não serem mais comuns em revistas para adolescentes, em vez disso temos obras como Boku no Hero Academia.
Muito se fala que o público mudou neste período de tempo e isto não deixa de ser verdade, mas você caro leitor, já parou para pensar que talvez o público que assistia Hokuto no Ken não é o mesmo que assiste Boku no Hero Academia, não porque o público necessariamente mudou, mas porque Hokuto no Ken não é interessante para quem ver Boku no Hero Academia e vice versa, mesmo que a priori ambos sejam para o público adolescente.
Ao longo do tempo é fácil perceber que não apenas a sociedade mudou de forma a não aceitar as mesmas coisas de tempos passados, mas também se percebe o que mais agrada a cada espectador mudou.
Por exemplo, vejamos algumas séries de batalha dos anos 80 e 90, Hunter x Hunter e Saint Seiya possuem protagonistas fortes e a priori bondosos, mas já repararam como tem fãs que preferem os personagens anti-heróis que andam junto ao protagonista como são os casos do Killua e do Kurapika em Hunter x Hunter e do Ikki em Saint Seiya. Naquela época era comum termos anti-heróis, mas dificilmente eles eram protagonistas, no máximo um Yusuke, que era um briguento, mas de bom coração. Hoje em dia já viram a penca de anti-heróis, inclusive em seus conceitos, que existem. Mafiosos, Meio-demônios, Assasinos, Ladrões, todos com bom coração, mas não completamente bons. Nos anos 80 tínhamos Kenshiro em Hokuto no ken é bem verdade, mas como um todo Hokuto no Ken hoje seria um seinen, enquanto que as outras obras citadas ainda seriam shonens (e ainda é questionável se o Kenshiro é mesmo um anti-herói).
O josei é um gênero bastante novo se comparado ao shounen, o shoujo e o seinen, tanto que séries josei ainda concorrem em alguns prêmios como se fossem séries shoujo. Em sumo o josei surgiu ao se perceber que existia um público feminino que não gostava de ver aquele lado extremamente puro e inocente das protagonistas de shoujo, mas gostava de ver situações complicadas pelas quais estas passavam, além disso, percebeu-se que este público queria ver uma garota menos inocente, que tivesse preocupações amorosas, mas que também tivesse coragem de falar abertamente sobre sexo e enfrentar problemas da sociedade. Em outras palavras queriam histórias mais próximas das tramas realistas de alguns seinens, mas que não perdessem aquele olhar feminino.
O público do josei não se criou ou mudou, ele existia antes, mas não era explorado. Quando as editoras perceberam que aquelas suas leitoras deixavam de ler seus mangás quando envelheciam, mas que fazendo histórias com os elementos acima citados elas continuavam lendo, perceberam todo esse novo mercado que possuíam, e decidiram criar material para este público, com isso surgiram os joseis.
Da mesma forma que se percebeu e que havia público para o jousei, vários outros gêneros ou subgêneros começaram a ser mais explorados devido a estas percepções, com isso muitos outros tipos de obras começaram a nascer. Um dos gêneros que mais ganhou com isso foi a comédia que deixou de ser um característica, para se tornar um subgênero e até gênero principal em alguns casos. Em sumo houve um direcionamento maior de obras diversas para cada público.
Voltemos à questão de Hokuto no Ken e outras obras famosas nos anos 80 e 90. Não podemos dizer que estas não faria sucesso hoje em dia, mas com certeza seriam direcionadas a outros públicos, aliás, muitas obras que perduram por mais de duas décadas já mudaram de estilo e passaram a ser direcionadas a novos públicos, por exemplo, Jojo’s Bizarre Adventure, que era uma série shounen a princípio, mas hoje é uma série seinen. Continua tendo seu público, só que não é mais direcionada a adolescentes e pré-adolescentes.
Com o direcionamento de público, percebe-se que nichos antes nem imaginados, surgiram, ou simplesmente foram descobertos e com isso novas tendências foram criadas. Ente estes novos públicos podemos ver o público mais otaku, fã de lolicon e estereótipos femininos bem definidos; As fujoshis, que são fãs de romances homossexuais; E o público que gosta de gore e guro (grotesco).
Claro que ao se perceber novos públicos, foram percebidos os clichês e os elementos que agradavam mais cada público, como o excesso de referências em shounens de comédia, ou apresentações impactantes no meio de lutas em shounens de batalha, a jogada especial em séries de esporte, o exagero em séries shounens em geral, o excesso de closes em shoujos, cerejeiras também em shoujos, fora a estereotipagem dos personagens.
Surgem as Tsunderes e as Yanderes, personagens com personalidades e com características bem definidas que se tornam cada vez mais famosas entre o público shounen, e por vezes, seinen, além disso, temos no shoujo os garotos que desprezam as personagens principais, o personagem uke ou seme em obras para fujoshis e por aí vai. Personagens com personalidade fortes, sortudas, mulheres com corpos suntuosos, protagonistas bobões, irmãs mais novas, irmãos mais velhos, mulher ou homem adulto com aparência de criança, lolicon e shotacon. Os mais diversos estereótipos foram criados para atrair os mais diversos públicos.
Com abrangência de público surge uma maior demanda para as mais diversas histórias gerando uma diversificação extremamente proveitosa, porém também surge a diferenciação no número de pessoas de cada nicho. Por mais que haja vários, existem aqueles nichos que possuem mais e menos integrantes, o que causa também um direcionamento maior para os nichos com mais pessoas, assim é fácil explicar por exemplo porque hoje em dia vemos tantas obras como Naruto, One Piece, Boku no Hero Academia, Gakusen Toshi Asterisk, Sword Art Online, Kimi ni todoke, Orange, Gintama e assim por diante. A resposta é o retorno maior dos públicos alvos destas obras.
Obras como City Hunter, Hyper Police e até mesmo Cowboy Bebop, que são filhos de uma época com valores diferentes se tornaram interessantes a um público que não é mais a maioria e com isso se tornaram cada vez menos frequentes na mídia animada e nas principais revistas, que visam, de forma acertada, atingir os nichos com maiores públicos. É como, por exemplo, comparar o Rock hoje em dia e nos anos 60 a 80, fácil perceber o que fazia sucesso naquela época e o que faz sucesso hoje, mesmo que ainda existam algumas bandas como as antigas.
Em resumo este texto quis mostrar um pouco como o público é o elemento que move as mídias, no caso, os animes e mangás. Por um lado a diversificação garante histórias que abrangem púbicos muito diferentes, por outro lado cria nichos e faz com que certas obras fiquem a margem da “sociedade comum”. A série Bakuman é um ótimo retrato de como o público e as tendências movem as histórias e como isso leva também os autores a criarem obras mais direcionadas.
Espero que este texto tenha ajudado a perceberem a importância de se pensar no público alvo de cada obra. Além disso, quando se fala que uma história é filha de uma época, significa que podemos entender melhor quem lia e o que liam na época que a história era vigente. Hoje em dia não houve uma diminuição de gêneros, pelo contrário, existe uma diversidade maior, porém a maioria não está em evidência. Finalmente pelo que você, caro leitor, antes de criticar a sociedade atual e as obras que existem hoje em dia procure em lugares diferentes, tenho certeza que você verá que aquilo que você gostava ainda é publicado e que aquilo que você nem sabia que existia, mas que parece interessante existe.
Com isso termino mais esta longa edição da coluna “A resposta é 42” e espero que tenham gostado e antes que me esqueça, as perguntas que retiro do texto e lhes deixo essa semana são: A que tipo de nicho vocês pertencem? O que vocês viam quando eram crianças? O que viam quando eram adolescentes? E agora (caso já não sejam mais adolescentes) o que gostam de assistir e ler?
Até mais (EFE)!
30 de dezembro de 2015
A resposta é 42: Por que sentimos nostalgia?
Yo!
Antes de qualquer coisa, se você é, ou foi, um leitor do
blog Anime Portfolio (AP), você não está lendo errado. Afinal, desde que decidi
descontinuar o AP, já pretendia repostar alguns dos textos mais atemporais do
mesmo aqui no Animecote, tanto que o meu texto sobre o
icônico Mestre
da Animação Japonesa: Isao Takahata também foi inicialmente postado no AP.
Para quem não está entendendo nada, a coluna A Resposta é 42 era uma das colunas mais famosas do blog Anime
Portfolio, que foi descontinuado em setembro de 2015. Essa coluna, inspirada
por uma clássica referência a fantástica livro O Guia do Mochileiro das
Galáxias, de Douglas Adams, busca apresentar uma visão diferente de temas
diversos ligando-os a animação japonesa e ao fim de cada texto, os leitores são
convidados a questionar mais e mais sobre o tema, pois, tal como no livro
supracitado, muito mais importante do que a busca pela reposta, é a busca pela
pergunta correta.
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