14 de fevereiro de 2019

Resenha: Digimon Adventure tri. (Filmes 1 ao 3)






Por Escritora Otaku


Foi bom ter esperado ter disponíveis, até porque não é todo dia que uma franquia como “Digimon” esteja indo aos cinemas, mais ainda se for com o elenco do primeiro anime onde tudo teve seu início. Na época que soube, esperei animada para poder conferi-lo e aqui estou para destrinchar a desventura nas telas grandes dos primeiros digiescolhidos. Vi apenas o primeiro longa na época a fim de conferir se ia valer a pena esperar pelos demais filmes desta cine série com cara de OVAs e gostei - isso porque pude sentir que não eram filmes de animes e sim uma cruza de nostalgia e frescor novo nesta empreitada das criaturas digitais.

Se perguntar por que somente os três primeiros filmes aqui e não todos, digo que é para poder mostrar o desempenho individual e os pareceres em conjunto, fora que ia ficar extenso demais se fosse escrever os seis filmes numa única resenha - afinal, cada filme tem sua história e estilo, e tenho de destacar os pontos fortes e fracos dos mesmos antes de ir ao veredicto final. Senti o impacto positivo e negativo dos filmes durante suas exibições, por isso, não poderia escrever estes de qualquer maneira e pronto, fora fugir dos spoilers mais que declarados que a net dava. Quando fiz as resenhas dos primeiros quatro animes já tinha planejado que os filmes seriam em duas postagens, uma com os três primeiros e como chegamos a este projeto e a seguinte com os três últimos; com os resultados gerais, repercussão e se a Toei Animation acertou ou errou em reviver o pessoal do primeiro anime da franquia. Ao meu ver inicial, houve tantos acertos quanto erros, nada que seja incomum em obras da Toei, não é mesmo?

Agora sim, vamos começar a trilhar mais uma vez, aqueles personagens e seus parceiros digimon que lembramos, ora com carinho, ora com certo ódio.


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Ano: 2015 (1° filme) / 2016 (2° e 3° filmes)
Diretor: Keitaro Motonaga
Estúdio: Toei Animation
Gênero: Aventura / Drama / Fantasia


No mundo dos filmes animados, histórias boas originais ou adaptações tem garantido espaço - alguns estúdios ficaram famosos por botar nas telas tantos personagens famosos ou que garantiram seu lugar no sol. Se um longa de animação faz muito sucesso, nada de mais em ganhar continuações até quando puder, havendo diversos casos que até mesmo ganham animações em formato de séries de TV. Há também o inverso, quando uma animação de TV ganha algum filme para divulgar mais o universo da mesma ou simplesmente, uma trama extra com os elementos que as consagraram.

Animes também tem disto: se um anime consegue espaço e público, as chances de obter um filme ou mais são grandes. Boa parte dos filmes de animes são apenas episódios esticados, aventuras que não possuem conexão com suas séries animadas e são melhores apenas para quem curte a série, havendo raras exceções, é claro. Temos os filmes recaps de suas animações, aos que não tem paciência de conferir o anime inteiro e tem cenas extras para durar mais um tempo, como visto em animes esportivos e as cine séries, longas que criam um enredo e aproveita o tempo a mais para contar suas histórias. E pra fechar, certos filmes trazem algum arco ou enredo pensado pelos seus criadores, dando a conexão com suas respectivas séries.

O último ponto é onde pode encaixar a séries de filmes “Digimon Adventure Tri”, seis longas animados que são continuações diretas dos dois primeiros animes da franquia “Digimon”, “Digimon Adventure” e “Digimon 02”, mais calcado ao primeiro anime por trazer o grupo de digiescolhidos jovens, desconsiderando muito da segunda animação - "por que justamente a primeira animação da franquia", tem quem pergunte os motivos por cima desta decisão e respondemos se tratar de uma mescla de nostalgia e aceitação. Afinal de contas, quem nunca pensou numa possível continuação ou releitura de uma animação do passado que gostávamos quando novos? Estamos vivenciando uma horda de reboots, remakes e até mesmo versões mais modernas de animações do passado, umas sendo bem aceitas, outras duramente criticadas por serem muito aquém das obras originais. Sendo assim um produto que costuma trazer um bom retorno, em partes, nada demais botar nas telas de cinema uma grande aventura das criaturas digitais, método que já haviam usado antes, só não de forma mais chamativa e escolher o primeiro anime foi o passo que precisavam quanto aos envolvidos.

Quando se fala de “Digimon”, dos animes realizados, dois são os mais lembrados, o primeiro e “Digimon Tamers”, agora, se fosse escolher o mais receptivo e nostálgico, com certeza ia ser “Digimon Adventure” pelo impacto dado na criação da franquia e das produções feitas; dos digimon desta leva serem constantemente postos nas mais variadas mídias e por ter sido um baita acerto das tantas produções feitas pela Toei Animation. Por tudo isso, era questão de tempo eles revitalizarem o anime que começou tudo e mais pelo mesmo ter mais de dez anos desde sua exibição original, completando vinte em 2019. A ideia inicial era realizar em OVAs e acabaram escolhendo a produzir filmes; num ver geral, os longas tem cara de especiais de vídeo que contam tramas complementares ao enredo inicial.

Sobre sua produção, vale ressaltar algumas curiosidades: a primeira está no visual dos personagens, mais simplificado e mais velho ao elenco do primeiro anime, e quanto aos digimon houve algumas escolhas de design controversas por optarem em dar uma modernizada; tivemos também a opção de exibição dos seis longas aos cinemas japoneses ao passo que, para o público ocidental, estes foram transformados em episódios, dando um total de vinte e seis, nos moldes de um anime de duração comum; por fim, há a volta das músicas que embalaram a série em si, como a já clássica “Butter-fly” e a da digievolução em novos arranjos. E o bônus, aliás, quem acompanha a franquia com mais convicção, as megadigievoluções dos digimon do grupo, sendo estas, os destaques dos próprios cartazes dos filmes, pondo o foco de qual personagem irá ganhar destaque, em seus formatos definitivos.

Por aqui, analisaremos os três primeiros filmes, seus pontos fortes e fracos, enredo e contexto geral. Ah sim, a pergunta que não quer calar: qual versão assistir, os filmes ou em episódios? O critério tem suas vantagens e desvantagens visíveis - claro que, tenha em mente que a melhor experiência é ver os longas em sua totalidade, pois no segundo formato há as edições para dividir os momentos da trama e a versão não ser a definitiva. Fica aos que assistirem, a opção que caia melhor ao seu gosto.

Saikai” (Reunião), é o que reapresenta o grupo de digiescolhidos da primeira animação e contextualiza as relações de cada um deles. Logo nas primeiras cenas, vemos o nascimento de uma digitama e uma história que remete à criação das criaturas digitais e em seguida, sombras de quatro pessoas sendo atacadas, precisamente, os personagens vistos em “Digimon 02”, antes de focar na rotina de Taichi e companhia - aí se percebe que o tempo passou e cada um deles tem suas vidas, hobbies e decisões a serem tomadas. Nota-se também que apesar da amizade adquirida pelas aventuras que passaram no Digimundo, há um tom distante de cada um e isso os coloca em situações mais juvenis como os estudos, futuro e as relações sociais adquiridas nestes anos. Quando surge um Kuwagamon em plena Odaiba, destruindo tudo por onde passa, cabe aos primeiros digiescolhidos entender o que está havendo e mais uma vez, se envolverem em uma trama maior que jamais estiveram.

O foco do longa pode ser posto em dois aspectos: o reencontro deles com seus parceiros digimon, juntando-os novamente e a adição de uma nova digiescolhida, Meiko e sua parceira Meicoomon; como a respeito do próprio Taichi, que apesar de estar mais velho, ainda se sente indeciso quanto aos rumos levados da trama. No primeiro ponto, ver o quanto eles possuem personalidades juvenis e importarem com o estado dos companheiros, em situações mais típicas da idade deles bota em xeque o valor da amizade e companheirismo que possuem. Em relação ao segundo ponto central em “Saikai”, o antigo líder do grupo tem tido dificuldades em pensar a respeito do seu futuro e ao ocorrer os ataques de Kuwagamon na cidade, fica apreensivo aos estragos causados pelas lutas, algo que o deixa com pé atrás e somente resolvido, em partes num primeiro momento, ao entender que para evitar algo pior, apenas eles podem dar um basta nestas manifestações de digimon em seu mundo. Dá para dizer que como filme de reapresentação daqueles digiescolhidos em “Digimon Adventure”, cumpre o básico e não tenta ser inovador demais, há um tom contido e muitas questões são colocadas para serem resolvidas nos demais filmes.


O segundo longa, “Ketsui” (Determinação), se inicia de forma bastante descompromissada, com o grupo e seus parceiros digimon nas termas – como manda o script de tantos animes – e apesar de ser um momento fora da curva, serve para ver como anda a relação do grupo com a nova digiescolhida, a Meiko; saindo disso, vemos que o Imperador Digimon de “Digimon 02” reaparece, dando a questão de ser ou não o Ken espreitando e as aparições de Ogremon e Leomon, onde o primeiro está infectado por algo e ao segundo, indícios disto e tentando se conter para não causar problemas. A trama aqui se centraliza em dois personagens, Mimi e Joe: a garota mostra seu lado bem pra frente e por isso, causa estranheza entre as colegas de escola que não a veem com bons olhos e ficam de burburinho contra ela, que detesta gente que não fala na cara o que pensa; ao membro mais velho do grupo, temos uma questão muito nipônica, a pressão de expectativa sobre ao futuro, pois se sente frustrado em não obter boas notas em seu cursinho preparatório e fica pra baixo, a tal ponto que não quer se envolver com os demais digiescolhidos.

Questões que parecem sem sentido à primeira vista, mostram as incertezas que as pessoas têm quanto ao contato social não ser o que querem ser. Nem sempre tudo funciona como queremos e para os dois digiescolhidos centrais da trama, cada um precisa encontrar no apoio dos amigos e notar que devem ser o que são, não o que os outros querem que seja ser. Há uma cena que ambos conversam e desabafam o que sentem, dando a entender a amizade que já tinham durante os acontecimentos do primeiro anime não ter mudado o respeito do outro; Mimi consegue dar a volta por cima graças a Meiko, enquanto Joe decide ir atrás de Gomamon e não questionar mais o seu papel dentro do grupo. Num ataque dentro do mundo digital, seus parceiros digimon despertam o último estágio de suas linhas evolutivas, surgindo Rosemon (mega da Palmon) e Vikemon (mega do Gomamon), culminando na saída brusca da Meicoomon, tão desconfiada dos fatos decorridos que foge. Novos mistérios começam a formar a respeito dos digimon infectados e das origens da própria Meicoomon.


O terceiro longa, “Kokuhaku” (Confissão) foca demais nas consequências, vendo que a infecção alcança os digimon principais, a começar pelo Patamon e a descoberta da causa culmina numa luta contra o tempo. Ao longo da trama apresentada, vemos um tom de despedida que acarreta ao final e como isso afeta aos próprios digiescolhidos que decidem correr atrás dos seus parceiros, mesmo que signifique recomeçar do zero. Percebe-se que quando os digimon centrais descobrem da infecção e suas sequelas para ser detida, cada um aproveita seus últimos momentos ao lado dos seus parceiros humanos, preparados para serem reiniciados e sem as memórias adquiridas de outros tempos. E sobre quem é o protagonista, dá para dizer que houve mais enfoque em Koushirou, que quer evitar mais digimon infectados e salvar seus amigos digimon, como também na Meiko, revelando mais de como ela e Meicoomon se conheceram; para fechar, a mega do longa é a do Tentomon, surgindo HerculesKabuterimon.


Dá para adiantar que aos poucos, os mistérios iniciados começam a ser desvendados, não totalmente e sim, em doses homeopáticas para a continuidade da obra. É o longa que traz cenas mais emotivas e cheias de significados para os envolvidos, agora que estão mais unidos que antes, mesmo com as sequelas negativas que os colocam num impasse e que é preciso que resolvam o quanto antes.

Indo ao ponto mais relevante, como ficou estes filmes em relação ao conteúdo oferecido e seu andamento? Analisando de forma isolada, o primeiro longa ficou na média, servindo mesmo de reintrodução ao universo do anime inicial da franquia; o segundo peca nos momentos das termas e do festival escolar, focando menos no contexto em si, contudo, estas partes funcionam para juntar mais os digiescolhidos e digimon num mistério maior que afeta o mundo humano e o Digimundo; por fim, o terceiro é praticamente o melhor em termos narrativos, entregando uma história mais coesa e cheia de revelações. Quanto a animação, podemos ver que a simplicidade do visual dos personagens humanos compensa a “falta de verba” comum do estúdio e algumas incoerências que podem afetar a obra como um todo - vale destacar os momentos de digievolução nos longas animados, pois houve uma modernização em comparação ao original, tornando-os mais atrativos. Sobre a trilha sonora apresentada por aqui, o destaque fica para a sua abertura, uma nova versão da música de abertura do primeiro anime, “Butter-fly tri.version” cantada pelo Koji Wada, uma das últimas músicas do cantor, reforçando a importância de ser uma das mais memoráveis quando se trata de “Digimon” como um todo. Não dá para dizer o mesmo da nova versão da “Brave Heart”, música das digievoluções, que ficou sem a alma tida em sua versão original apesar de ter mantido seu cantor - ela só como melodia funciona, não cantada. Seguindo aos encerramentos, tivemos versões de “I Wish” e “Seven” (encerramentos do primeiro e segundo animes da franquia), o primeiro pela antiga dubladora da Mimi, AiM e a outra pelo Wada, sendo esta a última do cantor, antes de falecer e de novidades, “Bokku ni Totte” no terceiro filme.


Num geral, os três primeiros filmes de “Digimon Adventure Tri” tratam de reapresentar o primeiro grupo de digiescolhidos numa nova aventura, bem menos colorida que a anterior mas, ao mesmo tempo, tão curiosa quanto deve ser. E antes que queira perguntar, esta é a primeira parte da cine série, portanto, os demais filmes e as considerações em conjunto serão abordados em outra resenha. No primeiro momento, que possamos redescobrir o que é ser um digiescolhido ao lado de Taichi e seus amigos de longa data...


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