1 de setembro de 2018

Resenha: Oushitsu Kyoushi Heine



Por Escritora Otaku


O ano de 2017 foi praticamente superior em comparação a 2016 para esta pessoa, seja em animes novos, seja reboots/remakes ou novas temporadas. E dos destaques que vi, este veio meio de supetão, pelas postagens já extintas dos Guias de Temporada do Animecote, portanto, valeu Erick Dias, meu senpai pela dica, porque valeu demais acompanhar esta série. A epopeia do tutor real remeteu aos métodos nada normais do protagonista de “Denpa Kyoushi”, aliás, teve análises semanais que realçaram este ponto e estive acompanhando e comentando lá no Anime 21, muito bom mesmo. A comparação parece estranha, no entanto, tem sim aspectos em comum e isto ajudou mais ainda para assistir o anime em si.

Numa lista de melhores 2017, esteve equiparado a “Saiyuki Reload BLAST” em termos de serem obras simples e envolventes em suas histórias, personagens marcantes e interpretação de seus dubladores; apesar disto, a trupe principal de “Saiyuki” está num nível acima; e numa lista de cinco melhores, em segundo lugar e empatado com eles. Sei que sou maluca em botar dois títulos    numa mesma posição, mas, pra mim, eles mereceram e sou das que não importa em botar mais de um anime na mesma colocação. Vamos para a resenha e verão que o tutor real é bem mais do que aparenta.

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Ano: 2017
Diretor: Katsuya Kikuchi
Estúdio: Bridge
Episódios: 12
Gênero: Comédia / Drama / Slice-of-life
De onde saiu: Mangá, 8 volumes, em andamento


Seja na escola, faculdade, universidade, cursos, onde tiver aulas, os que seguem na carreira acadêmica tem uma influência grande aos seus alunos e alunas; qual tenha sido sua formação, ser professor vai além das paredes de uma sala de aula, é um aprendizado que serve para a formação de cidadãos, tanto em conteúdo quanto a própria vida. Há quem diga que a vida seja um professor ao ser humano, pronta para botar em nossas cabeças que nem sempre pode ser o que desejamos que seja, pois a realidade é muito diferente da visão imaginária de nossa mente. Na vida real, o papel de professor tem sido cheio de altos e baixos: os que realmente importam em ensinar, de mostrar a realidade e dar um pouco de sonhos aos seus alunos; outros a tratam como um mero trabalho para ganhar status ou ter um dinheiro a mais, sem se preocupar em exercer o cargo dito; há a valorização ou não por esta profissão, levando a sequelas positivas ou negativas, e tem gente que fala que professor não presta e não o respeita, rendendo os casos de desacato e violência nas salas de aula que vemos por aí.

O fato é que temos lembranças boas ou ruins quanto a estes profissionais, nos deixando uma marca em nossas vidas fora das aulas. Quem nunca teve uma admiração ou paixonite por aquele professor ou professora em seus tempos de escola? Ou quando chegava a época do Dia dos Professores e a classe preparava uma festinha para homenagear este pessoal, os alunos que realizavam esta surpresinha? Querendo ou não, é uma carreira que precisa ser vista com mais atenção e com respeito, pois eles também são gente e tem suas vidas.

Aos que acompanham animes, os professores têm algum destaque, seja em séries que retratam suas carreiras e vidas ou estejam no elenco de histórias como parte dos personagens. E é nos que colocam o ambiente escolar, de forma séria ou não, que suas presenças se sujeitam a transformar o jeito de ser dos estudantes - já fora da escola ainda temos os que dão aulas particulares, para melhorar o desempenho de seus alunos, e além destes temos os tutores, com papel similar.

É neste quesito que somos apresentados ao contexto de “Oushitsu Kyoushi Haine”, que bota um tutor para educar príncipes de um reino e fazer os mesmos serem capazes de ter chances na sucessão real. Somos apresentados a Heine Wittgenstein, que foi recrutado pelo atual rei a tal cargo e vale aqui citar a aparência do personagem em si, que parece novinho mas não é, vide a voz grossa que tem. Quando consegue entrar no palácio após confusão de sua pessoa, ele é apresentado aos seus alunos, no caso, os filhos do rei que não ostentam boas relações com tutores e tem desbancando um atrás do outro - aí vemos a primeira de muitas lições que Heine tem de encarar, botando ordem na casa e mostrando aos príncipes o que significa ser parte da sucessão real. Falando dos filhos do rei, temos cinco no total, o primeiro e mais velho já está na linha de sucessão e motivo de admiração de seus irmãos, Eins; segue com o segundo mais velho, Kai que banca o personagem de poucas palavras e de expressão intimidadora, mas que no fundo, é alguém de bom coração e gosta de tocar em coisas fofas; o terceiro é Bruno, que se encaixa no perfil dos mais inteligentes e quando se depara com o intelecto do tutor real, passa a vê-lo como um mestre; o quarto é  Leonhart, o menos inteligente da trupe por não gostar muito de estudar, sendo no entanto um ótimo atleta e uma pessoa que parece arrogante, porém isso é só na aparência e além disso ele possui uma bela imaginação; e por fim, o quinto e caçula, Licht, que tem uma personalidade bem animada e é bastante sociável, principalmente com a ala feminina, mas fora isso é uma pessoa responsável e que está atento a pequenos detalhes.

A história direta segue na apresentação dos príncipes ao Heine, dos seus problemas e do que falta para serem candidatos ideais a sucessores e o maior mistério em torno do próprio tutor real. Sim, porque diferindo dos seus antecessores, a vida dele é coberta de mistérios, sendo o maior como conheceu o Rei Viktor. Impressiona o quanto adaptaram bem este começo da obra, sem ficar enrolando e o carisma do elenco de personagens é uma graça – em animes de menor duração, o desafio de manter ritmo e o interesse pela história pode ser ou não prejudicado - e fechando de maneira satisfatória, dando uma certa conclusão à trama apresentada. O último ponto é sem dúvidas um coringa, pois tem sido de fato comum animes de temporada terminarem de maneira aberta e torcer com todas as forças para ganhar uma segunda ou mais temporadas, o que não acontece em maioria e ficamos a ver navios. Aí temos de entender que animes são em partes, feitos para alavancar vendas das obras originais e torna-los mais populares, para ter tal chance ou não.

Em termos de animação, a série tem traços bem satisfatórios, nada primoroso, apenas adequado ao que traz e vendo os príncipes e o tutor real, seus visuais, à primeira vista, remetem aos animes feitos para as fujoshis. Como dizem por aí, as aparências enganam e temos uma trama com momentos de comédia intercalados com os dramas pessoais dos filhos do rei e de como a vinda de Heine os ajudou a serem pessoas melhores. Aliás, o maior trunfo está nisto, o de usar as melhores características destes jovens para ganhar um espaço na sucessão real. Não esperem nada elaborado, é uma história simples e direta ao ponto, capaz de colocar quem vê as situações dadas na animação.

O tema de abertura, “Shoppai Namida” de Shogo Sakamoto tem ritmo que combina com a proposta do anime, com um típico clipe de apresentação do elenco de personagens e focando nos príncipes e no tutor real; de encerramento, “Prince Night~Doko ni Ita no sa! MY PRINCESS” é cantado pelos dubladores do Heine, Kai, Bruno, Leonhart e Licht num clipe bem divertido e dançante, tendo até mesmo versão desta com seus dubladores passando uma boa vergonha alheia declarada de cosplayers de seus personagens.


Sem grandes pretensões e cumprindo bem o que transmite, “Oushitsu Kyoushi Haine” pode não ser espetacular como manda certos animes de temporada - mas por outro lado, a história consegue entreter e dar mostras deste desafio de bancar o tutor real.


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