19 de maio de 2015

3 em 1: Bottle Fairy, Dai Mahou Touge e Megane na Kanojo

Na edição de hoje temos quatro lindas fadinhas aprendendo as tradições e costumes dos japoneses, uma garota mágica dando chave de braço e outros golpes em seus inimigos e contos amorosos de quatro garotas usuárias de óculos.


No título de cada animação há um link que o leva às suas respectivas páginas no MyAnimeList, e clique aqui caso queira ver os demais posts dessa seção.



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Bottle Fairy








Ano: 2003

De onde saiu: Animação original.

Algo bobinho, imaturo e terrivelmente gracioso.

Produção do estúdio Xebec composta por 13 episódios de doze minutos de duração cada, "Bottle Fairy" mostra as pequeninas desventuras e os vários aprendizados pelos quais passam as protagonistas Sarara, Chiriri, Hororo e Kururu, quatro fadinhas que vivem com um jovem humano chamado apenas de "Sensei-san". Todo episódio ocorre em um único dia de um mês do ano (começando por abril e indo até março, esse último sendo exceção ao ter dois episódios para si), e neles acompanhamos essas fofas criaturinhas tentando compreender as tradições e costumes dos humanos - e do povo japonês em específico, como é de praxe - a fim de um dia poderem se tornar humanas, e tendo para isso quatro "ferramentas" variadas: a vizinha Tama-chan, garota do fundamental que, bem, sabe mais é dar informações e conselhos errôneos para elas do que realmente ajudar em algo; o próprio Sensei-san, que pelo menos tem noção do que fala, porém pouco aparece no anime; os diversos livros desse estudante e, o principal, a rica e ilimitada imaginação delas, que interpreta de mil e uma maneiras tudo que leem e ouvem.


Foi um antigo companheiro de um fórum quem me apresentou esse anime lá em meados de 2007; ele sempre destacava seu lado bonitinho, principalmente com o uso de imagens, e tal bombardeio moe acabou me convencendo a assisti-lo - mas sem ter antes alguma desconfiança e vergonha visto que parecia ser algo bastante infantil. E realmente, "Bottle Fairy" é de fato bem bobinho e em vários momentos segue um molde um tanto que didático (porém não pode ser catalogado como infantil devido ao horário em que era exibido, durante a madrugada, além do teor de certas cenas e diálogos), e também não é um anime que falaria a respeito com qualquer um, contudo, oras, confesso que acabei me encantando por essas fadinhas adoráveis e a criatividade absurda que elas possuem. Pois é, em meu último texto no blog esmiucei os acontecimentos de dez animações hentai e agora começo falando de fadinhas que se comportam como crianças, viram como sou eclético, viram?


Voltando, sequer parece que os episódios se passam quase que inteiramente no quarto do "sábio" Sensei-san, pois esse quarteto abusa de encenações e esquetes para discutir cada assunto, e dessa forma tem-se a impressão de que estamos em uma peça teatral com cenários e vestuário infinitos. Como ótimo exemplo do andar dessa fórmula posso citar precisamente o segundo episódio, onde a tonta da Tama-chan aparece toda alegre falando da "Golden Week", sequência de quatro feriados entre abril e maio: tentando compreender tal palavra, na cabecinha da enérgica Kururu ela se torna uma pirata caçadora de tesouros, mas é uma pena que sua aventura termine com o ataque de um tubarão; a romântica Chiriri vislumbra um mundo feito todo de ouro, principalmente - que pesadelo! - ela mesma e suas amigas; já a centrada e "tomboy" do grupo Sarara se traveste e imagina algo envolvendo samurais, tema que ela adora, e por fim a lerdinha, avoada e comilona Hororo enxerga uma barra de ouro, por algum motivo pensa que é tofu de ovo e ao morde-la, obviamente, machuca seus dentinhos ("Cozinhou demais!") - vale ressaltar que geralmente essas suas reflexões tomam tais desvios de 360º graus do assunto original devido a pequenos mal entendidos e trocadilhos com palavras e termos de sonoridade parecida, influenciado ainda por suas respectivas personalidades unidimensionais que acabam as levando para caminhos totalmente diferentes uma da outra. Após isso a Tama-chan explica melhor sobre a "Golden Week" e até detalha direitinho, sem invenções dessa vez, cada feriado e seus costumes. Soou um tanto besta? Sim, falando estritamente o que acontece fica desse jeito - e convenhamos que elas forçam a barra em diversas de suas fantasias -, mas a tamanha ingenuidade e pureza das fadinhas, mais suas reações e trejeitos meigos, um simpático "character design" redondinho e as ótimas dublagens por parte de profissionais famosas como Horie Yui e Nana Mizuki incrementam o anime, que apela antes de tudo para uma pegada puramente moe ao invés de tentar ser realmente engraçado. Ele pode aparecer classificado como comédia em qualquer site do ramo, mas nunca que eu o recomendaria a alguém considerando apenas isso.


De todo modo, é com muita fofura que presenciaremos Kururu e companhia tanto aprendendo o que se faz em épocas como ano novo, férias de verão e dia dos namorados, quanto se aventurando em florestas densas, montanhas gélidas e pirâmides repletas de armadilhas - e isso tudo dentro de um mesmo cômodo na maior parte do tempo, mas surgirão também eventos mais sérios como um delicado aprendizado sobre a dor da morte ou a descoberta do amor de forma suave. Ignore qualquer julgamento da sociedade, apague o histórico do navegador se for necessário depois, e dê uma chance a essas graciosas fadinhas caso tenha se interessado ao menos um pouco pelo anime.


O que eu mais gostei:
A interação bonitinha das fadinhas com suas imaginações férteis.

O que eu menos gostei:
A comédia em si é bastante apagada.

Nota: 7




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Dai Mahou Touge








Ano: 2006

De onde saiu: Mangá de volume único.

Uma nada convencional garota mágica que se mostra uma exímia e temida lutadora.

Tanaka Punie é a próxima na linha de sucessão para se tornar rainha da Terra Mágica; porém, antes disso, ela deve passar um ano na Terra ao lado dos humanos para poder herdar o trono (foi coincidência juntar dois animes no post com argumentos parecidos, viu?). E como é de se esperar, essa garota se transfere justamente para uma escola do Japão, onde fará amizades, participará de eventos estudantis... E tentará evitar de ser morta por todos que a odeiam, sejam eles delinquentes juvenis, rivais e parentes que almejam o trono da Terra Mágica ou até mesmo seu adorável mascote que é um ex-combatente do exército.


OVA de apenas 4 episódios, "Dai Mahou Touge" é daqueles animes que subvertem o subgênero "mahou shoujo" ao acrescentar doses elevadas de cinismo, ironia, diálogos chulos e violência gratuita em suas pequenas e loucas historinhas. No caso de Punie, não surgiu do nada diante de si um mascote fofinho querendo formar contrato contigo para salvar a Terra de monstros enquanto se coleta itens mágicos; ela teve de ir até a desolada e perigosa Vila dos Mascotes Waku-Waku para conseguir um, e só após flertar com a morte e usar suas ilustres técnicas de submissão corporal é que pôde enfim subjugar o poderoso Paya-tan, um cachorrinho com chifre de unicórnio que pode à luz do dia se comportar como um mascote exemplar de voz fininha e gestos moe, porém ele se aproveitará de qualquer deslize de sua dona para se vingar da vergonha pela qual passou - mas como a própria Punie diz em certo instante, o que seria de um rei se ele não tivesse uma ou duas pessoas querendo mata-lo, não é? Isso, aliás, se passa na segunda metade do primeiro episódio (cada um possui duas histórias com títulos próprios, então em certos sites verão o anime ser listado com 8 no total ao invés de 4), depois de vermos tal garota mágica enfrentar delinquentes e ajudar sua nova amiga obcecada por trens, Tetsuko, a preparar curry para um festival escolar. O resultado é um prato magnífico, perfeito, onde até parece que os vegetais estivessem vivos de tão frescos - e o pior é que estavam mesmo graças à magia de Punie, e assim flagramos, por exemplo, uma honrada batata se auto descascando e se sacrificando em prol daquela que lhe trouxe à vida...


Enfim, não abusarei mais de spoils, mas creio que já devem ter pego o espírito da animação. Com uma protagonista que profere frequentes ameaças de morte a todo mundo e que apela para a violência sempre que possível para resolver qualquer conflito, quebrando nesse processo pernas, braços e pescoços alheios usando seus impecáveis movimentos de imobilização, "Dai Mahou Touge" apresenta uma comédia bastante esdrúxula, nonsense, que se alterna entre momentos cômicos de grande inspiração a outros que beiram a imbecilidade completa. É uma produção bruta e de baixo orçamento razoavelmente satisfatória, e ao menos seu tamanho é pequeno o suficiente antes que a fórmula comece a mostrar sinais de desgaste.


A propósito, há ainda "Dai Mahou Touge Omake", que são quatro especias de 1 minuto cada narrando mais algumas curiosidades do mundo do anime - e confesso que não me foi lá uma surpresa descobrir que a tal Terra Mágica, controlada a punhos de ferro pela mãe de Punie (pois seu pai é um masoquista fracote), possui escravos, altos índices de pobreza e constantes conflitos civis...

O que eu mais gostei:
Essa junção de tanto cinismo e humor negro com o tema de mahou shoujo.

O que eu menos gostei:
Em alguns momentos surgem piadas de péssimo gosto. 

Nota: 6,5




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Megane na Kanojo








Ano: 2010

De onde saiu: Mangá de volume único.

Quatro episódios de 12 minutos cada. Quatro garotas que usam óculos. Quatro pequenas histórias românticas ou pseudo românticas envolvendo essas garotas. Pronto, resumo feito.

"Megane na Kanojo" (megane = óculos) adapta metade dos oito capítulos do mangá homônimo de volume único, e nele esses conjuntos de duas lentes usados para compensar defeitos visuais (palavras próprias, não li isso num dicionário!) sempre acabam por possuir certa relevância nos dramas de jovens casais. No primeiro episódio um garoto chamado Kamiya Junichi entra para o Clube de Literatura de sua escola após conhecer e se apaixonar por uma de suas integrantes, Asou Kana, mas, por odiar óculos, ele tenta a todo custo fazê-la parar de usar os seus. No segundo, Ichinohe Aya é uma idol famosa que se disfarça em público usando um enorme óculos e outros acessórios, e é dessa forma que conhece o garçom Miyagushi Takashi, que a convida para sair sem saber sua identidade real. Já o episódio seguinte apresenta um casal mais velho e formado; Mitsuki Kimura namora há seis meses com Tanaka Touru, porém tal relacionamento é tão vagaroso, e ele se comporta de maneira tão fria na visão dela, que isso a faz pensar se esse amor não seria unilateral


E, no episódio final, temos Takatsuka Tatsuya, um rapaz que no último ano do ensino fundamental sempre pegou no pé e fez brincadeiras com a recém-transferida Kuramoto Chiaki, garota que de todo modo ainda mantinha certa amizade com ele. Entretanto, agora no ensino médio Chiaki muda de aparência e atitude, ignorando Tatsuya, que tentará descobrir a razão para tal distanciamento.

É de se esperar que com um espaço de tempo tão curto seja difícil haver algum desenrolar mais profundo quanto a situação de cada casal, e de fato é isso o que ocorre; "Megane na Kanojo" traz antes de tudo esboços de vários e simplórios romances, diria inclusive os "minutos iniciais" do que seriam reais histórias de amor, na qual, se não vemos exatamente um desfecho para elas, ao menos nos são dadas pistas, através de atos ou frases, sobre aonde aqueles personagens estão indo e onde podem terminar. Lógico, a exceção fica para o par do terceiro episódio, cuja relação de uma doce garota com seu namorado passa por uma fase comum de se acontecer a qualquer casal - e é curioso notar como apesar de já estarem na faculdade eles parecem ser justamente os mais ingênuos do anime, a ponto de exibirem tanta timidez que sentem vergonha até para darem as mãos em público...


Tendo cada qual uma abordagem diferente para contar sua história, seja uma apelando mais para a comédia e a outra para o drama, seja uma narrando tudo do ponto de vista do garoto e a outra mostrando o ponto de vista feminino, "Megane na Kanojo" está longe de agradar plenamente quem procura por um romance de verdade, todavia deve bastar àqueles menos exigentes que só desejam uma animação que retrate leves e inocentes interações pseudo amorosas de jovens com o sexo oposto - ou então que tenham fetiche por garotas usuárias de óculos, vá saber.



O que eu mais gostei:
O casal do terceiro episódio, em particular a garota e suas reflexões quanto ao seu relacionamento.

O que eu menos gostei:
O casal do episódio quatro, que me foi o menos interessante e simpático (e curiosamente é o que possui o par de dubladores mais populares, nesse caso Hiro Shimono e Hanazawa Kana).

Nota: 6






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